A Volta ao Algarve é daquelas provas que foram crescendo quase em silêncio… até se tornarem paragem obrigatória para meio mundo do pelotão.
A primeira edição oficial data de 1960, ainda com outro peso mediático e com longas pausas pelo meio – houve mesmo um intervalo entre 1962 e 1976, antes de a corrida regressar de forma contínua. Durante muitos anos foi uma prova mais “doméstica”, com forte presença portuguesa e algum interesse regional, mas longe das luzes da Volta a Portugal.
Tudo muda a partir dos anos 2000. A prova passa a ser disputada em fevereiro, encaixada no calendário como corrida de início de época, e começa a atrair grandes nomes que vêm ao Algarve afinar a forma para as clássicas da primavera. Nessa fase aparecem vencedores como Alberto Contador, Tony Martin, Geraint Thomas, Michal Kwiatkowski ou Tadej Pogačar, e a Volta ao Algarve deixa de ser “corrida de pré-época” para se tornar uma espécie de mini-volta de luxo.
Em 2017 sobe à categoria 2.HC da UCI, e em 2020 entra na nova UCI ProSeries, passando a figurar oficialmente entre as provas por etapas mais importantes abaixo do WorldTour. Hoje junta um pelotão de nível altíssimo, com várias equipas WorldTour, dois finais em montanha (normalmente Fóia e Malhão) e um contrarrelógio que costuma decidir a geral.
No meio de tantos estrangeiros de topo, o ciclismo português também deixou a sua marca: nomes como Joaquim Gomes, Vítor Gamito, Cândido Barbosa, Hugo Sabido e, mais recentemente, João Rodrigues, já escreveram história na classificação geral e nas camisolas.
Resumindo: a Volta ao Algarve começou como prova regional, passou por fases difíceis, mas reinventou-se como corrida de início de temporada onde se cruzam paisagens algarvias, sol de inverno e alguns dos melhores ciclistas do mundo a testar as pernas pela primeira vez no ano.
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